Quando aqui cheguei,
sabia que deixava tudo para trás. Amigos, família, o meu lar, a minha cidade, o
conforto do conhecido e do esperado. Nada de novo me surpreendia pois sabia-a
como a palma da minha mão. Fazia parte de mim assim como eu fazia parte dela. E
deixei tudo para trás. Tudo. Cheguei para viver, para começar do zero. Amigos,
família, o lar, a cidade e, principalmente, para procurar no desconhecido o
conforto e aprender o que podia ou não esperar desta nova vida.
Tive sorte, muita
sorte. Tenho novos e melhores e que me conhecem se calhar tão bem ou melhor que
eu a mim mesma. Não conhecem o meu passado, é verdade, mas também não me julgam
por isso. Sabem quem sou agora, neste presente, e isso basta-lhes. E sou feliz.
Mais agora nestes últimos tempos do que na minha vida inteira. São anjos que
não me deixam cair quando outros deixavam e só depois me ajudavam a por de pé,
levantar a cabeça e juntar os cacos. Nestes tempos, ainda não baixei o olhar
uma única vez porque não me deixam. Estiveram sempre, sempre lá. E sou muito
feliz com todos eles.
Mas há um anjo
especial. Um que desperta em mim uma plenitude e uma confusão em proporções
semelhantes. A sua presença consegue ser tão tranquilizante como caótica. Mas
confio nele mais do que em mim. E isso sim, vira-me a alma do avesso. Não por
ser ele, mas por nunca ter dado a liberdade a ninguém para o fazer. Nem àqueles
de quem achava que era dependente. Ter alguém que só de me olhar nos olhos sabe
quem sou na realidade deixa-me aterrorizada. E repito, não por ser ele, não por
ser quem é. Mas porque nunca deixei que tal acontecesse e não sei como lidar
com a situação. Assim, porque é praticamente mecânico, sou ríspida, difícil,
por vezes arrogante e até antipática. Mas não é propositado, juro! São Mecanismos
de Defesa de quem sempre foi muito distante de tudo e só agora é que está a
viver no real sentido da palavra.
Desculpa se por vezes
não te dou o valor que sei que mereces. Mas o caos que provocas em mim deixa-me
completamente desnorteada.
Mas hoje senti o meu
interior em paz. Deitaste a cabeça no meu ombro, sossegado, senti a tua
respiração, o teu cheiro, o teu toque ao de leve e quase adormeci contigo. Não
por algo mais do que é suposto e que alguns podem até pensar que existe, mas
porque mereces toda a minha consideração e respeito. Porque tu, sim, és de
valor. E pode não parecer, mas és sem dúvida um exemplo. Posso contrariar-te em
tudo o que dizes, ser uma besta contigo, ser fraca, mandar-te à merdas vezes
sem conta, mas a verdade é que só faço tudo isto porque sei, independentemente
do que acontecer, valerás sempre a pena.
“And friends aren’t only for parties, games or
when everything is going right. We know who are ours real friends when the
world turns a living hell and breathing became the hardest thing to do. There,
we know who fights right on our side and keep us looking to the sky.”
Por favor e assim como
de mim, não te esqueças de todas as pessoas que cativaste com a tua maneira de
ser. “És responsável por aqueles que cativas.”
Thanks for everything,
friend!
Com carinho, Carole.
P.S. Não me interpretes mal... Alguma dúvida, sabes onde vivo.