Saturday, May 7, 2011

É isto que nos distingue de outro grupo qualquer.
Temos personalidades diferentes, muito diferentes umas das outras. Temos filosofias mais distintas ainda. Somos o que somos. Cada um diferente à sua maneira.
Mas na hora do espectáculo, no instante que temos de mostrar ao mundo o nosso árduo trabalho, o nosso esforço, suor, dedicação, lágrimas, sangue, dá-mos tudo o que temos e não temos para brilharmos como ninguém!
Somos um só. Todos juntos, vencemos. Se um ou dois faltam, falham, todos sentem essa perda. Todos, sem excepção.
E enquanto grupo, ou melhor, família, se na hora de mostrarmos ao público aquilo que nos faz mais felizes ou que nos faz continuar a olhar o horizonte com a cabeça erguida, se no exacto momento de subirmos ao palco e darmos tudo por tudo por uns meros aplausos mais que merecidos, se nesse mesmo instante tivermos de deixar tudo, largar tudo e ajudarmos um de nós, fazêmo-lo sem questionar o que quer que seja.
Entre as alucinadas trocas de roupa, ligamos mil vezes ao 112 por um amigo inconsciente em São Bento.
Entre as marcações improvisadas à ultima da hora, procuramos em todos os hospitais da invicta esse mesmo amigo, perdido, alucinado.
Tudo isto.
Quantos outros grupos de teatro, dança, o fazem? Quantos outros o fazem em vez de acertarem todos os pormenores, de reverem o espectáculo mil vezes antes de entrarem em palco? None.
E nós entramos, de lágrimas nos olhos, e dançamos, cantámos, vestimos a pele de personagens até perder de vista, guardamos tudo até sairmos de palco outra vez e aí, só aí, em que voltamos a ser nós mesmos, onde choramos, gritamos e rimos.
É isto o Báu dos Segredos.
E se a vida de muitos é o teatro, a minha é o Baú.
E é por isto que custa tanto sair.
E é por isto que não somos um grupo qualquer.
Quem faz parte, sente.
E mais ninguém entende...

Báu dos Segredos, classe B