Meu irmão,
São 00h00. Meia-noite. Noite fria de Junho. 14 de Junho e está frio. Frio porque não estás aqui.
Alías, estás. Porque não foste embora, ainda. E estás relativamente perto. Moras perto e deves, portanto, estar perto neste exacto momento.
Mas não estás tão perto quanto desejei e desejo. Quero-te aqui, ao meu lado, agora. Aqui e agora!
Sei que ainda é cedo para despedidas mas duvido se serei capaz de dizer tudo o que o quanto te quero dizer quando chegar a hora.
Eduardo Lopes, meu irmão, eu amo-te com toda a força que estas palavras significam. Eu amo-te.
Não sei como poderei sorrir depois de ires embora. Terei, certamente, de pensar como tu: "Eu vou ter com as pretas e quando voltar vou vir com uma ninhada de filhos!"
Ah, podera eu encarar sempre o futuro com um sorriso nos lábios, como tu, meu irmão...
Mas é-me impossivel. Nunca na minha natureza humana, nesta minha maneira de ser, poderia eu ir viver para quilómetros de distância e manter o bom humor típico. Não.
Admiro-te, acima de tudo. E aprendi tanto contigo...
Choro quase todas as noites só de imaginar a partida, a despedida, a última vez que te teri nos meus braços. Se ao menos estivesses lá para me limpar as lágrimas...
Não estarás, nem poderás estar. É-te impossivel.
Mas ficarão as memórias, as lembranças, as fotografias, os momentos. Ficará tudo de ti em mim, prometo!
Meu irmão, Edu, Victor, Peppone, Ngau Long, amigo, serás, estarás, sempre presente para sempre como sempre.
Com saudade, Carole.
(Agora são 00h12. Continua noite. Está frio e é Junho. É 15 de Junho. Chove.)